O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teve uma conversa telefônica neste domingo com os enviados dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner. O objetivo parece ser a busca por um alívio nas tensões recentes entre Kiev e Washington, em um cenário de intensificação de ataques entre os dois países.
Conflito em escalada
A troca de mensagens ocorre em um momento crítico, marcado por bombardeios intensos que afetam a infraestrutura de energia em ambos os países. A Rússia tem realizado ataques que deixaram milhões sem eletricidade, enquanto a cidade de São Petersburgo registrou o maior ataque com drones ucranianos desde o começo do conflito, que se intensificou em 2022.
Zelensky comentou que “nossas equipes continuam trocando informações e estão em contato todos os dias”, reafirmando a importância do apoio americano. Ele sublinhou que “muito depende” dos Estados Unidos neste conflito e que “é evidente que há muitas questões em jogo para todos nós e que esta guerra precisa terminar”.
Discussões sobre defesa e apoio
Durante a conversa, o presidente ucraniano enfatizou a necessidade de receber sistemas de defesa antiaérea Patriot dos EUA, essenciais para a interceptação de mísseis russos. Em resposta, o ex-presidente Donald Trump declarou que Zelensky “não quer pôr fim” à guerra e sugeriu que o líder ucraniano poderia estar utilizando a situação para obter mais apoio financeiro da Europa.
Trump argumentou que “ele não se importa, e, francamente, com todo o dinheiro que a Europa lhe dá, ele não quer encerrar essa guerra, provavelmente nunca quis”. O ex-presidente também comentou que “grandes avanços estão sendo feitos” nas negociações sobre o conflito, incluindo questões relativas a reféns e acusações de que a Ucrânia estaria atacando refinarias russas para prejudicar o Partido Republicano.
Reações e acusações
Em uma entrevista à NBC, Zelensky havia classificado como “um erro histórico” qualquer apoio formal dos EUA à Rússia e expressou esperança de que Trump “mude suas decisões”. Ele também manifestou sua gratidão pela retomada do compartilhamento de inteligência pelos EUA, que havia sido suspenso, aumentando a vulnerabilidade da Ucrânia.
Recentemente, o governo da Ucrânia levantou preocupações sobre restrições no serviço de internet via satélite da SpaceX, que tem sido vital para suas operações militares. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, criticou Zelensky por suas acusações, chamando-as de “grande imprudência”.
Intensificação dos ataques
Na madrugada deste domingo, novos ataques foram registrados de ambos os lados, incluindo um incêndio significativo em um terminal petrolífero em São Petersburgo. O governo russo acredita que os ataques da Ucrânia contra refinarias estão contribuindo para o aumento global dos preços dos combustíveis, uma situação que também é influenciada por outros conflitos na região.
A Ucrânia, por sua vez, defende que suas ações são uma resposta aos bombardeios russos que devastaram sua infraestrutura energética e visam reduzir as receitas do Kremlin oriundas de hidrocarbonetos. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, descreveu os ataques ucranianos como um “sinal de agonia”, enquanto o governador de São Petersburgo relatou que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas em um ataque recente.
Zelensky também informou que, durante a noite, a Rússia lançou bombardeios em várias regiões ucranianas, deixando “dezenas de milhares de famílias sem eletricidade”. Ele destacou que os esforços para restaurar o fornecimento de energia seguem em andamento, mas a população está apreensiva sobre a possibilidade de enfrentar mais um inverno rigoroso sem calefação adequada.