A Associação de Tênis Feminino (WTA) revelou que um quarto de suas competições ainda não oferece premiação igualitária entre gêneros. Embora o cenário mostre progresso em comparação a 2016 — quando apenas 47% dos eventos dividiam os valores de forma igualitária —, a entidade estabeleceu o ano de 2027 como prazo limite para alcançar 100% de paridade.
Reação do público e justificativas
O dado gerou surpresa entre torcedores ouvidos sobre o tema. “Elas ganhavam menos antes?”, questionou um fã antes de tentar adivinhar a época. Diante da revelação de que a conta ainda não fecha em todas as chaves, a perplexidade tomou conta dos relatos: “Não é igual? Não brinca, não é igual!”, exclamou uma espectadora. Outro fã reforçou: “Ô, tô chocado, hein? Para mim era tudo igual, porque se joga igual. O público que vai, que curte, é o mesmo. Por que ganha menos?”.
Argumentos tradicionais foram resgatados por parte do público para tentar explicar a disparidade financeira. “Só que também os homens jogam 5 sets e as mulheres só 3. A arrecadação dos homens é bem maior que a das mulheres”, pontuou um participante. A tese foi rebatida no mesmo local por outra torcedora: “Não concordo. Porque o treino é o mesmo, o esforço é o mesmo. Ainda tem a parte da maternidade, a parte do casamento, como os homens também têm. Por que essa diferença salarial ainda? Acho que só o esporte tem a perder”.
Histórico de luta e boicote
As diferenças atuais possuem raízes em um passado de intensa desigualdade. A ex-tenista Patricia Medrado, ex-número 1 do Brasil, relembrou um episódio determinante vivido nos anos 1980: “Eu resolvo olhar a premiação e vejo que a gente estava ganhando cinco vezes menos que os homens. Fiquei indignada. Falei com as melhores tenistas da ocasião se elas topavam fazer esse boicote. Nós saímos do torneio — foi revolucionário, porque foi a primeira vez que as mulheres batalharam por igualdade e se uniram”, relatou.
A ex-atleta também contestou visões que tentam desmerecer a competitividade do circuito atual citando dados de intensidade em quadra: “A Sabalenka andou mais do que o Alcaraz num teste que fizeram em um dos US Open — não é que ela tenha mais força, é que o homem usa mais efeito, a mulher bate mais chapado. O nível do tênis feminino hoje está altíssimo, e quem não gosta, eu acho que pode até ser um certo preconceito”.
Reconhecimento e futuro
Niege Dias, ex-tenista homenageada durante o SP Open, apontou a relevância da postura combativa das veteranas para que o cenário brasileiro pudesse evoluir: “A Patrícia é uma das pioneiras no Brasil a lutar por essa igualdade de premiações, de direitos da atleta, da tenista. Ela é uma grande incentivadora e lutadora até hoje”.
Ao comentar a realização de competições dedicadas exclusivamente ao público feminino, Medrado frisou o papel desses espaços: “Cada vez que algo é feito em prol do tênis feminino, chama atenção para o nosso potencial, para os nossos resultados. Tênis é isso: a gente perde mais do que ganha”.