O mercado financeiro doméstico iniciou o novo mês com valorização tanto na renda variável quanto no câmbio. O Ibovespa encerrou as negociações em alta de 0,46%, aos 187.197 pontos, dando continuidade ao fôlego registrado em setembro, quando acumulou ganho de 5%. Já a moeda norte-americana registrou alta de 0,89%, cotada a R$ 5,220 na venda comercial, refletindo as reconfigurações de carteira na reta decisiva da corrida presidencial e o salto expressivo do petróleo no exterior.
Oscilações e cautela no pregão brasileiro
Embora tenha terminado no terreno positivo, o principal indicador da B3 enfrentou uma sessão de volatilidade. Pela manhã, o índice chegou a subir 0,6%, virou para queda de 0,8% nas proximidades do meio-dia e só recuperou a trajetória positiva à tarde. No mercado cambial, a moeda dos Estados Unidos ainda sustenta um recuo de 5,8% no acumulado do ano, após fechar setembro com estabilidade diante dos cortes na taxa Selic e da elevação dos juros norte-americanos.
A percepção sobre a dinâmica macroeconômica recente foi sintetizada por Marcos Bassani, sócio da Boa Brasil Capital: “O terceiro trimestre foi marcado por uma forte disputa entre fatores positivos e negativos para os ativos brasileiros. A expectativa de queda dos juros e a melhora de alguns indicadores de inflação ajudaram a Bolsa e os juros futuros, enquanto o cenário fiscal e eleitoral trouxe volatilidade.”
Disparada do petróleo e tensão global
O grande motor externo do dia foi o barril do petróleo tipo Brent para entrega em dezembro, que disparou 4,37%, alcançando a marca de US$ 102,31. A valorização reflete temores de desabastecimento causados pela suspensão da exportação de derivados de petróleo por parte da China e pelas restrições na oferta do Oriente Médio, decorrentes do impasse político-militar de sete meses entre Estados Unidos e Irã.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, aponta que o comportamento dos ativos seguirá sob teste nas próximas semanas: “A Bolsa entrou em outubro mais sensível aos dados que serão divulgados e às sinalizações econômicas. A trajetória da dívida pública, os próximos números de inflação, o comportamento dos Treasuries americanos e a evolução do cenário eleitoral devem definir se o movimento de setembro foi apenas uma recuperação pontual ou o início de uma tendência mais consistente. Até o fim das eleições, a volatilidade tende a permanecer elevada.”
Destaques corporativos da sessão
Entre as empresas de maior peso no mercado, a Petrobras teve desempenho favorável, com as ações preferenciais (PETR4) subindo 1,57%, a R$ 49,89 — patamar próximo ao recorde histórico de R$ 50,43. A petroleira estatal foi beneficiada pelo anúncio de três novas parcelas de subvenção econômica de diesel e gasolina, somando R$ 1 bilhão e elevando o montante recebido pelo programa para R$ 13,3 bilhões.
Em contrapartida, a metalúrgica Paranapanema enfrentou forte pressão vendedora, com suas ações desabando 7,32%, cotadas a R$ 0,38. A empresa comunicou a homologação de um acordo que extinguiu R$ 3,94 bilhões de seu passivo de R$ 4,27 bilhões junto a credores, após atravessar processos de recuperação judicial e cobranças de garantias desde 2022.